Do singular e absoluto ao múltiplo e relativo
- 17 de out. de 2025
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Nascimento e a jornada de vida
Quando nascemos, iniciamos a nossa viagem pela vida. Criamos a nossa experiência através de uma sucessão de vivências, acontecimentos, encontros e descobertas.
À medida que acumulamos experiências, atribuímos um significado cada vez maior aos acontecimentos e moldamos a nossa realidade, ajustando as observações às evidências subjetivas criadas pelas sensações que eles provocam em nós.
Em busca do significado
Deslizamos pelo tempo como se este fosse um caminho a ser trilhado, guiados pela alternância incessante de desejos que impulsionam o nosso progresso.
Preenchemos o tempo com a nossa existência, sempre desejosos de fazer a diferença e a acreditar na singularidade do nosso ser.
Individualidade e busca do reconhecimento
Esperamos que o mundo nos devolva aquilo que lhe oferecemos - mesmo que os nossos desejos sejam múltiplos e inconstantes, ora absolutamente abstratos, ora obstinadamente concretos.
Lutamos para afirmar a nossa presença e reclamamos o reconhecimento do nosso valor, que julgamos ser uma das mais preciosas criações da natureza.
Entre milhares de estrelas no céu noturno, procuramos a nossa - ignorando as outras. A primeira necessidade é sermos únicos.
Precisamos de nos definir, de encontrar o nosso espaço, de afirmar o nosso valor e de conquistar reconhecimento.
Busca da verdade e do propósito
Partimos numa grande viagem, cujo destino é o amanhã que nunca chega - porque com cada novo dia abre-se um leque de possibilidades, e cada uma delas, por si só, já é um caminho.
Precisamos de perceber quem somos, de construir uma base sólida - a mais sólida que conseguirmos - ainda impregnada pela necessidade de sentir o nosso lar, a nossa casa interior, onde tudo nos é familiar.
A busca pelo verdadeiro dentro de nós impulsiona uma exploração destemida, que nos leva até aos confins do conhecido, sem medo de errar, enquanto a fé na verdade continuar a alimentar a nossa expansão.

Encerramento - a transformação do individualismo e do sentimento de singularidade, outrora merecedores por si só de reconhecimento, em consciência de pertencermos a um todo maior.
Depois de anos e anos de busca constante, o corpo começa a ceder ao tempo, e o sentimento de exclusividade que acreditávamos merecer pelo simples facto de sermos quem somos começa a moldar-se, a abrir-se ao outro. O outro começa a ganhar lugar na nossa mente e torna-se objeto da nossa compreensão. Passamos a integrar a diferença e, pouco a pouco, a renunciar à incessante procura por recompensas. Entramos então numa fase de transição, em que o outro adquire mérito e qualidades com o mesmo peso daquilo que antes julgávamos ser o nosso direito exclusivo.
Encerramos o ciclo em comunhão com o outro, transcendendo os limites da ignorância e do narcisismo.
(Denis Getman)




















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